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A JORNADA DE SUPERAÇÃO E REDENÇÃO DE LADI KUHN: DO PARAGUAI AOS ESTADOS UNIDOS, DA DOR À ESPERANÇA

Por Ladi Kuhn
Iliana Canals com o livro.jpeg

livro sobre tráfico humano conta a história de Iliana 

Sobre Iliana Canals
Meu nome é Iliana, sou de Miami, Flórida, e tenho bacharelado em Justiça Criminal. Sou paralegal certificada e, além da minha carreira, tenho como propósito ajudar pessoas que enfrentaram traumas e circunstâncias difíceis a reencontrar a esperança.

Nunca imaginei que minhas próprias experiências dolorosas fariam parte desse chamado. Hoje, entendo que Deus não desperdiçou a minha dor. Ele a usou para desenvolver em mim compaixão, fortalecer a minha fé e dar-me um coração voltado para pessoas que se sentem esquecidas ou acreditam que sua história chegou ao fim.

Enquanto crescia em Miami, eu via a cidade como um lugar de oportunidades e diversão, sem jamais imaginar que o tráfico de pessoas pudesse acontecer ao meu redor. Durante um período de vulnerabilidade, o vício e o ambiente de festas me levaram a escolhas que eu nunca imaginei fazer. Foi nesse contexto que conheci a pessoa que se tornaria meu traficante. Por meio de manipulação e falsas promessas, ele conquistou minha confiança e passou a exercer controle sobre mim. Eventualmente, fui traficada de Miami para Washington, D.C., onde fui explorada com fins lucrativos por meio da dark web. Hoje, compreendo que eu não estava fazendo escolhas livremente e que o que aconteceu comigo não foi culpa minha.

Não quero que minha história se concentre nos detalhes dolorosos. O que mais importa é o que aconteceu depois, como Deus começou a restaurar minha vida. Naquela época, eu não conseguia imaginar que a mulher que se sentia quebrada, envergonhada e sem esperança um dia compartilharia um testemunho de cura.

O trauma mudou a maneira como eu via a mim mesma e o mundo, deixando-me com sentimentos de vergonha, medo, ansiedade e isolamento. Comecei a acreditar que  estaba quebrada e questionei se algum dia poderia ser amada, respeitada ou ter um futuro significativo.

Minha cura começou quando passei a conhecer Jesus Cristo pessoalmente. Meu relacionamento com Deus transformou a maneira como eu compreendia minha história. Aprendi que meu trauma era algo que eu havia vivido, mas não era a minha identidade. Meus erros não me definiam, e a maneira como outras pessoas me trataram não determinava o meu valor. Comecei a compreender que minha identidade estava enraizada no amor, na graça e no propósito de Deus.

A cura tem sido uma jornada e continua até hoje. Foi necessário aprender a confiar novamente, abandonar a vergonha, reconstruir minha autoconfiança e permitir que Deus restaurasse partes de mim que eu acreditava estar perdidas para sempre. Ele também colocou em minha vida pessoas e ministérios que se tornaram partes importantes do meu processo de restauração.

Uma das maiores bênçãos tem sido a Glory House of Miami, um ministério dedicado a ajudar mulheres afetadas pelo tráfico de pessoas a reconstruírem suas vidas. Tenho o privilégio de servir como care coach na casa da Glory House, passando tempo com mulheres que estão começando suas próprias jornadas de cura e restauração.

Eu pensava que estava indo até lá para encorajá-las, mas Deus me surpreendeu. Elas também me encorajaram. A força delas me lembrou da minha própria força, e a coragem delas me mostrou que a cura é possível. Ao observar essas mulheres redescobrirem seu valor, comecei a redescobrir o meu próprio valor.

Minha formação em Justiça Criminal fortaleceu meu compromisso com a defesa de direitos e a conscientização. Por meio do meu envolvimento com a A21, uso minha voz para educar outras pessoas sobre o tráfico de pessoas e incentivar ações, compaixão e conscientização para ajudar a prevenir a exploração e salvar vidas.

Também compartilhei minha história no livro Welcome to Miami, de Ananya Patel. Contar minha história tornou-se outra parte importante do meu processo de cura. Isso me permitiu olhar para trás e reconhecer não apenas a dor, mas também a fidelidade de Deus ao longo de cada capítulo da minha vida.

Outra parte do meu chamado que guardo profundamente no coração é o ministério prisional. Tenho o privilégio de liderar trabalhos ministeriais tanto em presídios femininos quanto masculinos. Quando entro em um presídio, não vejo as pessoas apenas pelo prisma de seu passado. Vejo pessoas que ainda têm um futuro. Vejo pessoas que precisam saber que seu passado não precisa determinar seu futuro.

Minha jornada me ensinou que as pessoas são muito mais do que seus piores momentos. Somos mais do que aquilo que nos aconteceu e somos mais do que os erros que cometemos. A cura não significa esquecer o passado; significa recusar-nos a permitir que o passado controle o futuro.

Aprendi o poder da fé, do perdão, da comunidade, da compaixão e de ter alguém ao nosso lado dizendo: “Você não está sozinha.” Essas lições mudaram a maneira como vejo a mim mesma e como respondo às pessoas que estão enfrentando dificuldades.

Hoje, sou grata pela vida que Deus me deu. Sou sobrevivente, care coach, defensora, líder ministerial e serva de Deus. Mais do que qualquer título, porém, sou uma mulher que experimentou a redenção.

A parte da minha história que um dia me trouxe a maior vergonha tornou-se

uma das maiores fontes do meu propósito.

Se existe uma mensagem que espero que as pessoas levem da minha história, é esta:

seu trauma pode fazer parte da sua história, mas não precisa escrever o final.

Existe vida depois do trauma, esperança depois da desesperança e propósito

depois da dor. Sou uma prova viva de que Deus pode pegar os pedaços quebrados

de uma vida e criar algo belo a partir deles. Se Ele pôde fazer isso por mim,

acredito que também pode fazer isso por outra pessoa.
 

Iliana durante o período enquanto estava traficada 

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