top of page

A JORNADA DE SUPERAÇÃO E REDENÇÃO DE LADI KUHN: DO PARAGUAI AOS ESTADOS UNIDOS, DA DOR À ESPERANÇA

Ladi Khun
IMG_3097_edited_edited.jpg

Foto: X Studio Miami

Sobre Silu Scheffer

 

Silu Scheffer é escritora, palestrante e especialista em investimentos em vacation rentals na Flórida, onde conecta propósito, estratégia e visão de mercado. Catarinense, aos 47 anos, construiu uma trajetória marcada por força e reinvenção: sobrevivente de câncer de mama, viveu a maternidade aos 45 anos, contrariando todas as expectativas. 

 

Uma História de Milagre 

Estava tudo certo, tudo planejado para as nossas férias. O nosso bebê estava com sete meses de vida, lindo, sorrindo, magrinho, afinal de contas, ele nasceu prematuro , mas era um bebê muito feliz e muito sorridente. Enfim, finalmente as minhas férias tão merecidas, depois de tudo que a gente tinha passado com a gestação, com o nascer do Otto antes do tempo, internada no hospital durante algum tempo para tê-lo,  então aquilo soava muito bem. Eu planejei tudo. Peguei o melhor apartamento de frente para o mar, do jeito que eu sempre quis. Estava tudo certo. Saímos daqui na terça-feira, e o Otto estava super feliz, sorrindo para todo mundo, encantava onde ele passava. Pegamos um vôo, ocorreu tudo bem. Chegamos no Rio de Janeiro na quarta-feira de manhã. Uma amiga nos recebeu, minha mãe também chegou para ficar conosco, e tudo estava correndo super bem.

Na quinta-feira, Otto amanheceu com um pouquinho de ronquidão. Chamei a pediatra, marquei uma consulta  - ela podia receber ele na sexta-feira. Mas, na quinta-feira mesmo, ela já tinha mandado uma fisioterapeuta fazer uma limpezinha no nariz, ver como ele estava. Ela fez e falou que estava tudo bem. Que ele estava com um pouco de catarro, mas que não parecia nada grave. E, na sexta-feira, era a consulta dele. Chegamos na consulta na sexta-feira no final da tarde, umas cinco horas e das cinco até às oito da noite a doutora ficou limpando o nariz dele e dizendo que ele estava mal.

Quando um simples “ronquinho” virou uma luta pela vida

E eu pensava: Como que ele está mal? Ele parecia super bem. Ele estava sorrindo. Ele estava bem. Eu não conseguia vê-lo diferente. Afinal de contas, eu levei ele na pediatra para ela dar um xarope e dizer que ia ficar tudo bem, como toda criança. Isso é bastante normal. Mas ela continuou insistindo. Disse que o quadro dele não era bom. Que era melhor levá-lo na emergência. Por desencargo de consciência eu levei. Isso era umas oito e meia da noite. Quando chegou às cinco horas da manhã ele foi colocado em coma. Porque ele já não conseguia mais respirar. E foi um choque pra gente aceitar colocar um bebê tão pequenininho em coma. E ali ele estava, em uma UTI. Em coma, com mais de 20 aparelhos para mantê-lo vivo. Era para ser as nossas férias. De repente, a gente estava dormindo no chão, num colchonete, na sala dos pais vendo nosso filho lutando pela vida e a gente sem poder fazer nada. Apenas orar.

Eu não conseguia nem pensar em postar nada. Coloquei alguma coisa nos stories, pedi oração mas nada além disso. Não tinha cabeça. Não tinha tempo. Não era pertinente. Os médicos falavam o tempo todo que ele ia piorar  para depois melhorar. Afinal, era “só” uma bronquiolite aguda. Mas, no caso do Otto não era só. Ele era prematuro. O pulmão dele ainda estava fraco. E aquela bronquiolite estava levando o meu filho. Sábado, domingo e, na segunda-feira, meu marido foi buscar meu sogro no aeroporto. Ele veio de Miami para ficar com a gente. Eu tinha saído pra comer alguma coisa. Quando eu voltei pro quarto eu vi uma secreção saindo do nariz dele. Era uma secreção marrom, forte. E eu pensei: Isso não é normal. Ele está entubado. Ele está em coma. Como que está saindo uma secreção?    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entre a fé e o medo: dias que mudaram tudo

Algo está acontecendo. Eu chamei a enfermeira. Em segundos, toda a equipe médica estava dentro do quarto. E, se você me perguntar quanto tempo passou, eu não sei. Talvez 20 minutos. Talvez horas. Mas a sensação foi de colapso. Era como se meu corpo estivesse ali mas minha alma não estivesse. Eu estava no chão, chorando, pedindo a Deus um milagre sem saber exatamente o que estava acontecendo mas sabendo que era algo grave. A médica saiu. E disse: “— O Otto está muito, muito, muito mal”. O intestino já tinha parado. O estômago não funcionava mais. Não podia mais receber leite. Os rins estavam parando. Precisava de hemodiálise. Precisava de transfusão urgente. E eu perguntei: “— O que isso significa?” E ela disse:

“ - Ele está em falência múltipla dos órgãos. Ele está morrendo. Se ele não reagir em três horas, não tem mais o que fazer. Não existe mais protocolo. Tudo o que podia ser feito já foi feito. Agora é orar.”  Eu e meu marido caímos no chão. Ele era o bebê mais grave daquela UTI. Todo mundo conhecia o Otto. Desde a recepção, segurança, manobrista… ele era o bebê que ia morrer. Mas, mesmo assim… os médicos continuavam tentando. Colocando medicações. Buscando sangue. Fazendo tudo. Ele ainda estava dentro da janela das três horas. Foi quando um padre passou. Eu pedi: — O senhor pode orar pelo meu filho?”  Ele entrou no quarto. E perguntou:

 

“— Ele já foi batizado?” Eu disse: “— Não.” Ele estava com sete meses e ainda não tinha dado tempo de batizar. E ele disse: “— Vamos batizar agora.” E ali, naquele quarto meu filho foi batizado e recebeu a extrema unção. Ali, sem festa, sem roupa especial, sem preparação,  somente fé.

 

Fui para a capela. Rezei como nunca. Pedi com toda a minha fé. E não foi só eu. O mundo inteiro começou a orar pelo meu filho. Grupos de 500 pessoas. Gente acordando às três da manhã. Pessoas que não oravam há anos. Gente no Vaticano, na Colômbia, na Venezuela, em todos os lugares. Pessoas que se ajoelhavam,pediam e acreditavam. E ele passou das três horas. Depois passou mais seis. Ainda muito delicado mas, a cada minuto, mais longe da morte e mais perto da vida. Um pastor me ligou e disse algo que eu nunca esqueci: que as pessoas iam orar pelo Otto achando que era por ele mas que quem ia receber milagres seriam elas. E assim foi. As mensagens começaram a chegar: “Eu não orava há anos e orei pelo teu filho.” “Coisas lindas aconteceram na minha vida.” “Eu recebi bênçãos.” Amigos que não pisavam numa igreja há mais de 10 anos pararam o carro no meio da rua, entraram, se ajoelharam e pediram pela vida do meu filho. E hoje, até hoje, as pessoas me param: “— Você é a mãe do Otto? Eu orei por ele.” E eu digo: “Sim. Ele é o milagre de Deus”.

 

Depois de 20 dias internado, ele recebeu alta, muito debilitado, muito magrinho.

Mas vivo. Hoje ele cresce, ama os animais, abraça árvores e descobre o mundo com pureza. E eu tenho certeza que ele tem uma missão porque ele já era um milagre antes de nascer e depois ele voltou.

IMG_3105.JPG.jpg
OTTO 2.jpeg
bottom of page